APRESENTAÇÃO
Sobre o livro
O amor pode até ser cego. A vida real, nem tanto.
Em Antes do Sim, Mariella Scheffer parte de uma ideia simples: falar sobre dinheiro, patrimônio, expectativas e futuro antes do casamento não diminui o amor — pode ser justamente uma forma de protegê-lo.
Com humor, situações da vida real e uma leitura jurídica acessível, o livro propõe um caminho entre dois extremos: a mulher que acredita precisar dar conta de tudo sozinha e aquela que entrega sua autonomia em nome do relacionamento.
É desse equilíbrio que surge a ideia da Mulher Soberana: aquela que pode amar, construir uma vida a dois, receber cuidado e compartilhar responsabilidades sem abrir mão da própria identidade, da autonomia financeira e da capacidade de decidir sobre o próprio futuro.
Ao longo do livro entram em cena conversas que quase nunca aparecem no pedido de casamento: como conhecer melhor quem está ao seu lado, falar sobre patrimônio e regime de bens, organizar as finanças do casal, preservar uma reserva própria, estabelecer limites familiares e compreender o que realmente significa construir segurança a dois.
Porque pensar antes do “sim” não é planejar o fim. É escolher com mais consciência o começo.
“Pensar antes do “sim” não é planejar o fim. É escolher com mais consciência o começo.”
AMOSTRA EDITORIAL
Um trecho do livro
O Pote de Palmito e a Ditadura dos Moldes
Deixe-me começar com uma confissão honesta, daquelas que a gente só faz para a melhor amiga numa mesa de café numa tarde de sábado: eu sei abrir um pote de palmito sozinha.
Eu tenho força nos braços, conheço perfeitamente a técnica milenar de bater com a palma da mão no fundo do vidro para tirar o vácuo e possuo autonomia física e intelectual suficiente para não morrer de fome se ficar isolada numa ilha deserta apenas com uma conserva de vidro e sem nenhuma ferramenta. Eu não preciso de um homem para sobreviver na cozinha, no escritório, na estrada ou na vida. Se o pneu do carro furar na chuva, eu sei usar o macaco; se a lâmpada da sala queimar, eu subo na escada; e se o garrafão de água mineral acabar, eu consigo trocar sem inundar a cozinha.
Ainda assim, sempre que o meu marido está por perto e um desses potes teimosos de vidro aparece na bancada, eu interrompo o que estou a fazer, estendo o frasco na direção dele e digo, com o meu melhor, mais doce e mais genuíno sorriso: “Amor, abre para mim?”
Ele, imediatamente, infla o peito, ajusta a postura, resolve o problema em dois segundos com a força dos pulsos e me devolve o frasco com aquele olhar satisfeito de quem acabou de caçar um mamute para a tribo e salvar a família da fome. Ele se sente o herói da cozinha; eu ganho o meu palmito e, de quebra, alimentamos um momento singelo, bonito e gostoso de carinho, cumplicidade e delicadeza.
Por que estou começando este livro te contando uma cena tão cotidiana e, aparentemente, boba?
Porque hoje em dia parece que nós, mulheres, fomos empurradas à força para dentro de dois moldes comportamentais sufocantes, artificiais e completamente polarizados. E a grande verdade é que nenhum deles serve para a maioria de nós. Fomos encurraladas num ringue ideológico onde os dois lados da bancada estão profundamente doentes.
Trecho da introdução de Antes do Sim.
