Quando o amor não basta: uma história real sobre sucessão sem filhos
- Mariella Matos

- há 2 dias
- 2 min de leitura

Vilma tinha 55 anos.
Era casada havia mais de 30 anos.
Não tinha filhos.
Construiu uma vida inteira ao lado do marido: patrimônio, estabilidade, rotina, afeto. Como muitas pessoas, acreditava que o vínculo construído ao longo de décadas seria suficiente para protegê-lo caso algo lhe acontecesse.
Nunca fez testamento.
Nunca conversou sobre planejamento sucessório.
Não por descuido — mas porque achava que o amor resolveria.
Vilma faleceu de forma inesperada.
E foi nesse momento que o marido descobriu que não herdaria tudo.
Não foi azar. Foi a lei.
O que aconteceu com Vilma não foi uma falha do sistema, nem uma injustiça isolada.
Foi a aplicação automática da lei diante da ausência de planejamento.
No Brasil, quando uma pessoa falece sem testamento, a lei define quem serão os herdeiros, seguindo uma ordem específica. E essa ordem não leva em conta vínculos afetivos, histórias de vida ou intenções não formalizadas.
Ela considera apenas o que está no papel.
A regra é clara (e pouco conhecida)
Quando uma pessoa:
não tem filhos
falece sem testamento
👉 a lei decide quem herda.
No caso concreto de Vilma:
ela era casada
não tinha filhos
tinha pais vivos
Resultado jurídico:
👉 o cônjuge não herda sozinho
👉 ele divide a herança com os pais da pessoa falecida
Mesmo após décadas de convivência.
Meação não é herança (e isso faz toda a diferença)
Aqui está um dos pontos que mais geram confusão.
A meação é a parte que já pertence ao cônjuge, conforme o regime de bens do casamento.
Ela não é herança.
A herança é apenas a parte que pertencia à pessoa falecida — e é sobre essa parte que a lei decide quem recebe.
Sem testamento, Vilma não pôde definir como essa herança seria destinada.
As consequências da omissão
A falta de planejamento não trouxe apenas uma divisão patrimonial inesperada. Trouxe também:
anos de inventário
conflitos familiares
desgaste emocional
custos elevados
insegurança para quem ficou
Nada disso aconteceu por falta de amor.
Aconteceu por falta de planejamento.
A história de Vilma não é exceção.
Ela é o retrato silencioso de milhares de famílias que deixam que a lei decida por elas.
Planejar não é falar sobre morte
Existe um grande equívoco quando se fala em planejamento sucessório:
o de associá-lo exclusivamente à morte.
Planejamento sucessório não é sobre morrer.
É sobre viver com autonomia, sabendo que sua vontade será respeitada.
É sobre:
proteger quem você ama
evitar conflitos futuros
garantir dignidade
transformar intenção em documento
Porque, no Direito Sucessório, intenção não substitui planejamento.
Uma reflexão necessária
Se algo acontecesse hoje com você:
👉 quem realmente ficaria protegido?
👉 sua vontade seria cumprida?
👉 ou a lei decidiria por você?
Para quem não tem filhos ou acredita que o vínculo afetivo “resolve tudo”, a informação é proteção.
O custo da omissão quase sempre é muito maior do que o do planejamento.
📘 História inspirada em caso real do livro “Não tenho filhos. E agora?” – Mariella de Matos Scheffer
Quer ajuda para desenhar seu planejamento sucessório?
📩 Agende uma conversa comigo e construa um legado do seu jeito.


.png)
.png)


Comentários