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Ela achava que estava protegida. Não estava! O erro da sucessão sem filhos.

  • Foto do escritor: Mariella Matos
    Mariella Matos
  • há 4 dias
  • 3 min de leitura
Documento de testamento representando os riscos da sucessão sem filhos sem planejamento jurídico

O que a história de Simone revela sobre sucessão sem filhos no Brasil.


Simone tinha 58 anos.

Era médica, independente, bem-sucedida.

Viveu por 15 anos com o companheiro.

Não teve filhos.


Como muitas pessoas na mesma situação, acreditava que estava tudo resolvido. Afinal, todos sabiam que eles viviam como um casal. Construíram uma vida juntos. Compartilhavam rotina, afeto, projetos.


Mas quando Simone faleceu de forma inesperada, a realidade jurídica foi outra — e dolorosa.


O companheiro precisou ingressar na Justiça para provar a existência da união estável.

Os pais de Simone passaram a integrar a sucessão.

Os bens ficaram bloqueados.

O processo se arrastou por anos.


E as pessoas que Simone amava, e acreditava estarem protegidas, ficaram vulneráveis.


Essa história, infelizmente, não é exceção.

Ela é o retrato fiel do que acontece diariamente com pessoas que vivem sem filhos no Brasil.


O erro mais comum de quem não tem filhos


O principal equívoco está em acreditar que o afeto é suficiente.


No plano emocional, pode até ser.

No plano jurídico, não é.


O Direito Sucessório brasileiro foi estruturado com base em um modelo tradicional de família: casamento formal, descendentes, herdeiros diretos. Quando essa estrutura não existe, a lei não interpreta intenções — ela aplica regras objetivas.


E essas regras nem sempre refletem a realidade afetiva de quem partiu.


No caso de Simone, por exemplo:

  • a união não estava formalizada;

  • não havia testamento;

  • não havia instrumento jurídico que garantisse sua vontade.


Resultado: a sucessão seguiu o caminho previsto no Código Civil, e não o caminho que Simone imaginava.


A falsa sensação de segurança


Muitas pessoas acreditam que:

  • “todo mundo sabe quem é meu companheiro(a)”

  • “minha família vai respeitar minha vontade”

  • “não tenho um patrimônio tão grande”

  • “depois eu resolvo isso”


Essas crenças criam uma falsa sensação de proteção e tb o maior erro, o não planejamento da sucessão sem filhos.


O problema é que, juridicamente, o que não está formalizado não existe.


O Direito não trabalha com intenções, promessas ou relações implícitas.

Trabalha com documentos, provas e regras legais.


E quando não há planejamento sucessório, quem decide o destino dos bens é a lei — não a pessoa que construiu aquela história.


O impacto da ausência de planejamento


Quando não há organização prévia, as consequências costumam ser duras:

  • processos judiciais longos e caros

  • bloqueio de bens

  • conflitos familiares

  • desgaste emocional

  • frustração da vontade do falecido

  • insegurança para quem ficou


Em muitos casos, o custo emocional é maior que o financeiro.


E tudo isso poderia ser evitado com orientação adequada e planejamento consciente.


Planejamento sucessório não é sobre morte


Esse é um dos maiores equívocos.


Planejar a sucessão não é pensar no fim da vida.

É pensar na continuidade dela — nos vínculos, nos afetos, naquilo que foi construído com esforço.


Para quem não tem filhos, o planejamento é ainda mais essencial, porque a lei não presume automaticamente quem deve ser protegido.


É o planejamento que permite:

  • garantir segurança ao companheiro ou companheira

  • respeitar vínculos afetivos reais

  • evitar disputas familiares

  • proteger o patrimônio

  • assegurar que a vontade pessoal seja cumprida


Sem isso, a sucessão ocorre de forma automática, impessoal e muitas vezes injusta.


A lição que a história de Simone deixa


A história de Simone ensina algo fundamental:


👉 afeto não substitui documento.

👉 intenção não substitui planejamento.

👉 silêncio não protege ninguém.


Quem vive em união estável, não tem filhos ou construiu uma vida fora do modelo tradicional precisa compreender que a ausência de planejamento não é neutralidade — é uma escolha com consequências.


Uma reflexão necessária


Se algo acontecesse hoje com você:

  • Quem realmente estaria protegido?

  • Sua vontade seria respeitada?

  • Seus vínculos afetivos seriam reconhecidos?

  • Ou a lei decidiria por você?


Essas perguntas não são desconfortáveis por acaso.Elas existem para provocar consciência.


Conclusão


Planejamento sucessório não é um ato jurídico frio.

É um gesto de responsabilidade, cuidado e respeito pela própria história.


É a forma de garantir que aquilo que você construiu — com esforço, amor e dedicação — não seja desfeito por omissão.


📘 Este texto é inspirado em casos reais abordados no livro“Não tenho filhos. E agora?”, que trata dos desafios jurídicos, afetivos e patrimoniais enfrentados por pessoas sem descendência no Brasil.

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